terça-feira, 9 de agosto de 2011

Olimpíadas ambientais

O desafio da despoluição da Baía de Guanabara foi um dos temas do projeto Rio Cidade Sede, sobre os Jogos Rio 2016, nessa segunda (8/9), no auditório da Bolsa, na Praça XV. "Se os jogos fossem hoje, teríamos as provas de vela nas raias mais sujas da história das Olimpíadas", disse o coordenador do Projeto Grael e ex-presidente da Feema, Axel Grael, que voltou a citar os problemas com o lixo flutuante enfrentados nos últimos Jogos Militares.

O vice-prefeito e secretário do Meio Ambiente do Rio, Carlos Alberto Muniz, e o secretário estadual, Carlos Minc, falaram da retomada da parceria entre os governos para evitar que o esgoto das favelas cariocas cheguem aos rios e à baía. O trabalho começará pelas comunidades com UPPs, ficando a prefeitura encarregada de fazer as ligações das casas com a rede da Cedae.

Minc destacou também a limpeza do Canal do Fundão, em parceria com a Petrobras, e as obras no Rio Sarapuí, na Baixada, e em São Gonçalo. "Não estamos correndo atrás dessas metas só porque estão no caderno de encargos dos Jogos, é para resolver um acúmulo de todos esses anos. Já vemos esse filme de limpar a Baía de Guanabara há 30, 20 anos, quando se falava em acabar com os lixões. Agora isso tem data para acabar", completou Minc.

Para o presidente da Câmara de Desenvolvimento Sustentável do Rio, Sérgio Besserman, é preciso mudar a cultura do carioca em relação à excelência dos serviços e à construção de um futuro melhor: “A cidade precisa crescer com trabalho e planejamento... Temos duas baías lindas. Esperamos que a de Sepetiba não seja a de Guanabara do amanhã.”

Na abertura dos trabalhos, o prefeito Eduardo Paes falou das frentes de obras em curso, frisando que a cidade se servirá mais das Olimpíadas do que o contrário. Para ele, os bairros carentes serão os maiores beneficiados, com os novos serviços de transportes. Sérgio Besserman destacou a oportunidade de se divulgar ainda mais o Rio.

"Não gosto da palavra legado, mas gostaria de chamar a atenção para o ativo intangível que é a marca Rio. E poucas cidades do mundo tem, além disso, um nome de bairro famoso como Copacabana. Essa herança não é de graça, é preciso estar à altura disso", frisou Besserman.

Por conta do fog londrino que baixou na cidade, como disse a mediadora Flávia Oliveira, o diretor de sustentabilidade dos Jogos de Londres 2012, Dan Epstein, não conseguiu descer a tempo no Santos Dumont. Preso no aeroporto de Viracopos, em São Paulo, o presidente do Conselho Público Olímpico, Henrique Meirelles, tentou falar pela internet, mas a conexão caiu. Antes, disse que o desafio é organizar os três níveis de poder envolvidos na organização dos Jogos de 2016, "para que tudo saia a contento".

Ao final, Axel Grael contou que, antes do debate, fez questão de ver o caderno de encargos para as cidades que disputam o direito de sediar as Olimpíadas de 2020. “As exigências ambientais são ainda maiores. Espero que cheguemos lá como modelo de organização e com orgulho do que fizemos.”.

O encontro dessa segunda-feira foi uma iniciativa dos jornais O Globo e Extra. No dia 28 de novembro acontecerá outra rodada de debates do Rio Cidade Sede.